Homenagem a Olabiyi Babalola Joseph Yaï e a Abiola Félix Iroko
Em menos de três semanas, dois eminentes estudiosos do Benim nos deixaram, Abiola Félix Iroko (*1946 – 2020) e Olabiyi Babalola Joseph Yaï (*1942 – 2020). Mesmo sendo de uma geração mais nova, ambos foram grandes amigos de Pierre Fatumbi Verger e conviveram com ele, em Salvador, durante dois ou três meses no caso do Professor Iroko, e mais que um ano no caso do
Professor Olabiyi Babalola Yaï, que voltou da Bahia falando fluentemente português. Eles se tornaram universitários de primeiro plano no seu próprio pais, o Benim, mas também no cenário cientifico e intelectual internacional no caso do Professor Yaï, o que é admirável especialmente se consideramos que ambos provinham, no Daomé colonial, de meios camponeses extremamente modestos onde as chances de poder seguir um curso escolar e depois universitário eram extremamente remotas.
O Professor Olabiyi Yaï, depois de ter ensinado nas universidades do Benim, da Nigéria, da Bahia e da Flórida, tornou-se Embaixador do Benim junto a UNESCO. Grande intelectual, militante, poliglota, foi eleito, em 2007, para o cargo de Presidente do Conselho Executivo da UNESCO e marcou brilhantemente o seu mandato em numerosos domínios, como a sua luta contra o analfabetismo, seu empenho pelo reconhecimento e uso das línguas africanas e o desenvolvimento de políticas culturais e linguísticas. Ele foi o precursor da noção de ‘’patrimônio imaterial da humanidade” e, graças a ele, as cerimônias Gélédè, do Benim, fizeram parte das primeiras manifestações a receber o título de patrimônio imaterial. Este grande erudito foi um personagem tanto mais cativante quanto de grande simplicidade e humildade, sempre à escuta do outro, mesmo o mais humilde.
