Aldeia Nagô
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Ancestralidade e globalidade: Mamah Soares lança single “Banho de Abô”, com participação de Otto 

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Nova música do artista baiano mescla o sagrado dos terreiros ao contemporâneo das pistas, com ijexá, iorubá e beats sutis

O multiartista baiano Mamah Soares apresenta seu novo single, “Banho de Abô”, uma faixa que mergulha nas tradições do candomblé e da cultura afro-baiana para propor uma experiência sonora de cura, espiritualidade e reconexão com as raízes. 

Disponível em todas as plataformas digitais no próximo dia 13 de junho, a canção mescla cantos em iorubá e português, batidas eletrônicas sutis e instrumentos percussivos tradicionais como o surdo virado (difundido por Carlinhos Brown), o agogô — considerado a clave rítmica nos toques de terreiro — e o xequerê, entrelaçados a timbres contemporâneos e elementos da linguagem afro-cubana, como os timbales. A produção é assinada por Caio Leite, com coprodução de Mamah, e conta com participação especial do cantor e compositor pernambucano Otto.

Com mais de 25 anos de carreira e uma trajetória que inclui colaborações com nomes como Carlinhos Brown, BaianaSystem, Xênia França, Gloria Groove e até o astro pop canadense Shawn Mendes, Mamah reafirma em “Banho de Abô” sua identidade artística, pautada pelo tambor como símbolo de resistência e pertencimento.

Guiado pelo ritmo do ijexá, tradicional nos terreiros de candomblé e expandido para a música popular por artistas como Gilberto Gil e João Donato, o single evoca os orixás Ossãe e Xangô e celebra o poder das folhas e dos banhos espirituais — práticas ancestrais que simbolizam purificação e proteção. “Essa música é uma oferenda sonora. Um chamado à memória ancestral e à cura do corpo e da alma”, afirma Mamah. O lançamento sai pelo selo Kaxambu Records.

A faixa é assinada em parceria com Ney Cardoso, músico, compositor e integrante do grupo Aguidavi do Jêje — uma das orquestras de atabaques mais importantes da atual cena soteropolitana. Foi Ney quem trouxe o conhecimento profundo da linguagem em iorubá para a composição, idioma da África Ocidental que representa um importante elo de reconexão cultural. “O Ney entende da ancestralidade musical e da rua. Ele me trouxe, inclusive, os nomes e significados das folhas ligadas aos orixás. É um parceiro que honra a tradição e a pesquisa”, destaca Mamah.

A mistura entre tradição e inovação também se expressa na construção rítmica da faixa: além do ijexá, o single incorpora beats arrastados e programações eletrônicas, criando uma ponte entre os rituais e as pistas. “É a batida que embala o corpo e a alma. Tem mensagem, mas também tem dança”, resume Mamah. A participação de Otto, filho da musicalidade afro-nordestina, amplia ainda mais esse diálogo. “Otto entende profundamente essa linguagem que vem do terreiro e vai pra rua, com a força do tambor, da poesia e da presença”, completa.

“‘Banho de Abô’ é minha forma de afirmar que a espiritualidade preta, os saberes do candomblé e o tambor são tecnologias ancestrais que seguem pulsando — inclusive na música eletrônica de agora”, afirma Mamah. “Com esse som, eu quero que as pessoas sintam o poder do tambor e da palavra como instrumentos de cura. É tradição e futuro caminhando juntos.”

“Banho de Abô” chega às plataformas digitais no dia 13 de junho. Ouça aqui.

Sobre Mamah Soares

Mamah Soares é músico, percussionista, cantor, compositor e arranjador, com mais de 25 anos de atuação na música brasileira. Nascido no Nordeste de Amaralina, em Salvador — estuário fértil do universo percussivo baiano —, teve como primeira escola o Samba Junino, manifestação cultural profundamente ligada ao Candomblé e às Festas de Caboclos. Essa base ancestral é o alicerce de uma trajetória que une tradição e inovação, força rítmica e lirismo.

Mamah integrou a lendária Timbalada, participando do disco Cada Cabeça é um Mundo (1993), e ao longo de sua carreira colaborou com grandes nomes da música brasileira e internacional, como Carlinhos BrownMargareth MenezesXênia FrançaEmanuelle AraújoNegra LiBNegãoLucas SanttanaBaianaSystemLazzo MatumbiFelipe CordeiroRaimundo SodréJ. VelosoMajurGloria GrooveManoel CordeiroOrquestra Popular da Bahia, além de artistas internacionais como Shawn Mendes.

Em 2011, fundou o Coletivo di Tambor, projeto que traduz suas pesquisas musicais em uma linguagem própria, onde texturas percussivas resgatam memórias ancestrais e se mesclam a elementos eletrônicos e urbanos, criando uma sonoridade inovadora e pulsante. Em 2014, lançou com o coletivo o EP Sistema de Energia Sonora, produzido por André T., e venceu o Prêmio Caymmi 2015 nas categorias Melhor Videoclipe e Melhor Direção com a faixa A Filha de Calmon. O grupo também teve músicas selecionadas nas coletâneas internacionais Kafundó Records vols. 1 e 3.

Em 2015, com apoio do Edital Arte Todo Dia, da Fundação Gregório de Mattos, idealizou e circulou com o projeto Mamah Soares & Coletivo di Tambor e as Lendas, levando música aos coretos da cidade de Salvador ao lado de lendas da música regional baiana, como Mateus AleluiaCacau do Pandeiro e Mestre Lourimbau.

O Coletivo di Tambor também marcou presença em diversas edições do Carnaval de Salvador, passando pelos circuitos Campo Grande (2013), Pelourinho (2016 e 2017) e Furdunço (2017, 2018 e 2019), com apoio do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura de Salvador.

Artista inquieto, Mamah Soares segue expandindo suas criações a partir de uma escuta atenta às raízes e ao presente, reafirmando sua relevância na cena contemporânea e mantendo viva a pulsação da música de matriz africana. Instagram / Spotify / Site

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