Aldeia Nagô
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Todo mundo sabe que Trump, o fanfarrão, perdeu. Por Nelson Motta

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Presidente americano só ganhou humilhações, desmoralizações, deboches, maciça desaprovação do povo americano e do mundo

O mundo assistiu em tempo real, à beira de um ataque de nervos, entre lágrimas, gritos de dor e gargalhadas, cinco semanas de uma guerra absurda marcada por uma derrota fragorosa de Trump e a admiração internacional do povo do Irã e seus comandantes. O mundo descobriu que a civilização persa tem milênios de sabedoria, cultura e espírito de luta, contra 250 anos de história americana e o maior poder militar da Terra. Um grande filme, com viradas, suspenses e surpresas.

Por mais que Trump proclame vitória com mortes e destruições, todo mundo sabe que o fanfarrão perdeu. O que ele ganhou, depois de torrar bilhões de dólares e matar milhares de inocentes ? Não interrompeu o programa nuclear iraniano, não ganhou uma gota de petróleo, não mudou o regime, perdeu soldados e aviões, só conseguiu reabrir o estreito que já estava aberto antes da guerra, mas agora sob controle do Irã. Trump só ganhou humilhações, desmoralizações, deboches, maciça desaprovação do povo americano e do mundo. Um perfeito loser. O irônico é que a guerra vai mesmo mudar o regime — nos Estados Unidos.

O grande coadjuvante maligno desse filme é Netanyahu, que, não por acaso, estava presente no situation room, onde nunca entram estrangeiros, e convenceu Trump, contra a posição dos órgãos de inteligência e comandos militares, a iniciar a guerra contra o Irã. Afinal, Israel não pode aceitar que o Irã tenha bombas atômicas, mas eles têm várias. A melhor garantia de que não vão usar é a mútua ameaça de destruição num equilíbrio do terror. Mas Trump foi enrolado por Netanyahu e convencido de que a guerra seria fácil e ótima para tirar o foco dos arquivos explosivos do pedófilo Epstein. E foi levado a um atoleiro sem saída, como um novo Afeganistão. E a um prejuízo irrecuperável de bilhões de dólares e do prestígio e da imagem dos Estados Unidos, bombardeado por vídeos e memes iranianos de humor devastador, que fazem o mundo rir de Trump e dos Estados Unidos, onde ele tem só 30% de aprovação e é cada vez mais odiado e desrespeitado como TACO (Trump Always Chicken Out, Trump Sempre Amarela).

Assim como no pretexto para a guerra do Iraque, o Irã não tem armas de destruição em massa e mísseis capazes de levá-las aos Estados Unidos, e nunca foi uma ameaça iminente. Mesmo assim foi à guerra, em nome de Israel, com a mobilização da sua fabulosa máquina de guerra, às custas do contribuinte americano, que nada ganhou com isso.

Agora começa, ou continua, a guerra de narrativas. Quem ganhou e quem perdeu. Nem a máquina de desinformação trumpista vai convencer os americanos de que foi uma vitória. O que ele conseguiu foi fortalecer ainda mais o (repressivo e abominável) regime iraniano, com novas lideranças no comando de um povo formidável na resistência e no espírito de luta em uma guerra desigual.

Foi chocante ver a compostura e autoridade dos líderes iranianos, cultos, educados e irônicos, em contraste com as grosserias e insultos de Trump, e o carismático, e brabo, porta-voz do Exército iraniano virando estrela da internet.

Nelson Motta é Jornalista, compositor, escritor, roteirista e produtor.

Artigo publicado originalmente no jornal O Globo de 10.04.2026

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