Aldeia Nagô
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Injetando R$ 4 milhões no turismo gastronômico da Bahia, concurso movimenta Salvador e Lauro de Freitas há quase 20 anos; entenda o fenômeno

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Aquecendo os motores da economia e da cultura gastronômica local, a 17ª edição do Comida di Buteco continua a impulsionar donos e donas de buteco a reescrever e transformar histórias de vida. Com o tema ‘Verduras’, o clima de competição segue na região até o dia 10 de maio.

Celebrar a ‘cultura dos butecos‘ é uma missão que extrapolou Minas Gerais e conquistou o país. Em pouco mais de sete anos, o concurso de gastronomia raiz iniciado nos anos 2000, o ‘Comida di Buteco’, atravessava o Brasil em direção à Bahia para celebrar a culinária típica do dendê, da pimenta e dos frutos do mar, em meio à regionalidade do tempero afro-brasileiro. 

Após dezesseis edições movimentando a cena gastronômica de Salvador e Lauro, o concurso adquiriu um espaço próprio no calendário baiano. Neste ano, o concurso bateu o recorde de 63 butecos no páreo da competição, assinando pratos criativos para seduzir o paladar dos baianos, em clima de festa que toma as ruas até o dia 10 de maio. 

“Chegar até Salvador marcou a expansão do CDB para uma das principais praças gastronômicas do país. Integrada ao circuito desde 2009, a capital baiana passou a imprimir características próprias à competição, com forte presença de ingredientes regionais. Ao longo das edições, a cidade consolidou sua relevância no projeto, com crescimento no número de participantes e no engajamento do público (+38%), além de impacto direto no fortalecimento dos pequenos negócios locais”, afirma o coordenador regional nordeste do CDB, Max Rogers

No túnel do tempo do “maior concurso de butecos” do Brasil, nomes que marcaram a cena culinária através dos bairros de Salvador, como o Bar Koisa Nossa, vencedor da temporada em 2009, o Caranguejo do Pascoal (vencedor em 2014 e 2015); Bar Xique Xique (2017); Sushili (tricampeão em 2018, 2019 e 2023); e o atual campeão Força’s Bar (tricampeão em 2021, 2022 e 2025). 

O CDB transformou nossas vidas. Em termos de movimento e visibilidade na mídia, a equipe é sempre atenta e eficiente. Já participamos do concurso há doze anos, tendo ficado de fora apenas em duas edições desde então“, relembra a sócia do Bar das Meninas e participante da 17ª edição do CDB, Cláudia Silva

Quem saiu ganhando, além dos apaixonados pela culinária de raiz, são os donos de estabelecimentos. Mobilizando mais de cem empreendedores da cena gastronômica atual, o concurso tem, ano após anos, impulsionado pequenos bares a reescrever suas histórias, profissionalizando negócios e consolidando a cultura botequeira local como rota turística culinária, mesmo durante os meses mais mornos da economia.

A empreendedora Susane Pinto, que mantém o ‘Oxente Bar e Petiscaria’ junto a seu esposo, Rafael Santana, relembra que antes de participarem do Comida di Buteco, o período entre abril e maio era considerado ‘morto’, devido às chuvas e ao pós-Carnaval. “Durante o concurso tudo muda aqui para a gente. A começar pelo tamanho da equipe que sempre precisamos contratar mais extras, tanto para a parte da cozinha, quanto para a parte do atendimento. Outro ponto importante é o fluxo de clientes. Os antigos tornam a aparecer e os novos viram fiéis, e isso impacta diretamente no nosso faturamento. Antes de participarmos do CDB esse período era “morto” para a gente… pós-Carnaval, chuvas… hoje, graças a Deus, temos um ótimo movimento durante o concurso“, afirma Susane

Ao longo dos anos, o Comida di Buteco contribuiu para estruturar a cena dos bares de bairro, ampliando a visibilidade de estabelecimentos tradicionais e incentivando a formalização e qualificação dos serviços. O impacto econômico, de acordo com Max Rogers, reflete o aumento do fluxo de clientes, junto à geração de empregos e a movimentação de cadeias produtivas ligadas à gastronomia local. Não é à toa que, somente neste ano, o CDB projeta injetar R$ 4 milhões na cena gastronômica da Bahia. 

“Esse volume financeiro circula de forma ampla na economia local, alcançando não só os bares participantes, mas também fornecedores de insumos, produtores locais, distribuidores e toda a cadeia ligada à alimentação fora do lar. Há um reflexo direto no turismo gastronômico, com maior circulação de pessoas pela cidade, além do fortalecimento de pequenos produtores e parceiros que abastecem esses estabelecimentos. É um movimento que ultrapassa o balcão do buteco e se espalha por diferentes setores da economia”, complementa Max.

Por trás de toda a cadeia produtiva, o paladar baiano agradece. Em quase 20 anos de trajetória da tradição mineira para a Bahia, o concurso atraiu mais de 300 mil pessoas aos butecos da capital e de Lauro de Freitas, consolidando o fenômeno da culinária de raiz como um dos sucessos de empreendedorismo na região. “Estamos no caminho para transformar Salvador e região como um dos principais polos da cultura butequeira no país”, afirma Max. 

Com os chefs desafiados através do tema ‘Verduras’, o clima de competição segue na região até o dia 10 de maio, quando se encerra a votação do público e dos jurados. Após descobrir o campeão regional da 17ª etapa do ‘Comida di Buteco’, os butecos classificados das 27 regiões participantes cruzam os dedos para receber o título de ‘Melhor Buteco do Brasil‘, atualmente coroado pela Confraria do Fraga, localizado em Belém (2025)

O ‘Comida di Buteco 2026’ conta com Cerveja Oficial Eisenbahn, apresentação de Knorr, patrocínio de Coca-Cola, Liquigás, Santander, 99Food, promoção da Tv Bahia/ Globo e apoio de McCain, Chandon, Elogiata, Sebrae, Abrasel, Germer e Boxnet. 

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