Aldeia Nagô
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Lucyy Vieira lança livro sobre Maria Felipa na Flipelô neste sábado (08)

4 - 5 minutos de leituraModo Leitura

A professora, historiadora e pesquisadora Lucyy Vieira lança, no próximo dia 8 de agosto (sábado), às 15h, na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Salvador, a obra “Maria Felipa: a heroína negra entre silenciamentos e resistências”. O lançamento integra a programação oficial da Flipelô 2026 – Festa Literária Internacional do Pelourinho e marca a primeira participação do livro em uma feira literária.

Resultado de sua pesquisa de mestrado, a obra propõe uma reflexão sobre o apagamento histórico da participação da heroína negra Maria Felipa de Oliveira nas lutas pela Independência do Brasil e analisa como o racismo, o machismo e o elitismo influenciaram a construção das narrativas presentes nos livros didáticos brasileiros.

Naturalmente inquieta com a forma como a história da população negra é apresentada nas escolas, Lucyy Vieira dedica duas décadas ao ensino de História em escola pública no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Especialista em Educação e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a pesquisadora construiu sua trajetória acadêmica voltada ao fortalecimento da memória, da identidade e do pertencimento do povo negro.

O interesse pela representatividade das mulheres negras começou ainda durante sua especialização, quando pesquisou o protagonismo das candaces — as rainhas africanas — em práticas pedagógicas. A partir dessa experiência, passou a observar de forma mais crítica a ausência dessas personagens nos materiais didáticos.

Foi durante as aulas sobre a Independência do Brasil que surgiu a motivação para aprofundar os estudos sobre Maria Felipa.

“Nas aulas de História sobre a Independência do Brasil, junto com meus alunos, comecei a perceber que as mulheres negras apareciam nos livros apenas na condição de escravizadas, nunca como heroínas. Foi então que surgiu a inquietação sobre a ausência de Maria Felipa, uma personagem que eu havia conhecido ainda na graduação, nas aulas de História da Bahia. A partir dessa pergunta nasceu o projeto de pesquisa que buscou compreender o silenciamento da memória dessa grande heroína brasileira”.

Aprovada no Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da UNEB, Lucyy desenvolveu uma ampla investigação sobre a presença — ou ausência — de Maria Felipa nos livros didáticos. Durante a pesquisa, constatou que as narrativas históricas privilegiam personagens masculinos, brancos e pertencentes às elites, enquanto relegam ao esquecimento protagonistas negros que tiveram papel decisivo na luta pela Independência.

Mesmo enfrentando as limitações impostas pela pandemia, a pesquisadora realizou extensa pesquisa documental nas cartas com depoimentos dos moradores de Itaparica, que integram o acervo da Casa de Maria Felipa, nos  romances históricos de Xavier Marques e Ubaldo Osório,  avô de João Ubaldo Ribeiro, e aprofundou seus estudos a partir do contato com a Casa de Maria Felipa, das obras de Eny Kleyde Farias Vasconcelos, mestre em Educação e pioneira nos estudos sobre a heroína baiana.

Para Lucyy Vieira, o livro representa mais do que a publicação de uma pesquisa acadêmica: é um instrumento de reparação histórica.

“Este livro é fruto da minha pesquisa de mestrado e nasce do compromisso de contribuir para a reparação histórica da memória de Maria Felipa. Mais do que contar sua trajetória, ele reconhece sua presença na contemporaneidade, nos monumentos, nos espaços de memória e no imaginário do povo baiano. Maria Felipa, que desde 2018 integra o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, precisa ocupar definitivamente o lugar que lhe pertence na história do Brasil”.

Lançada inicialmente na Universidade de São Paulo (USP) e apresentada também na Bienal do Livro da Bahia, a obra chega agora à Flipelô, em um momento considerado especial pela autora.

“É a primeira vez que participo de uma feira literária com este livro, e fazer esse lançamento na Flipelô tem um significado muito especial. Estou muito feliz por compartilhar essa pesquisa em um espaço dedicado à literatura, à cultura e à valorização da nossa história”, comemora.

O lançamento será aberto ao público e contará com sessão de autógrafos. A obra reforça a importância de revisitar a história brasileira sob novas perspectivas, valorizando personagens fundamentais para a construção da identidade nacional e para o fortalecimento da memória da população negra.

Sobre a autora

Lucineide S. Vieira, conhecida como professora  Lucyy Vieira, é educadora, pesquisadora e escritora integrante do Coletivo de Professoras Escritoras Leia Bahia, dedicada à valorização da memória, da identidade e da ancestralidade de mulheres negras. Desenvolve pesquisas e práticas pedagógicas voltadas à educação antirracista, à educação patrimonial e à preservação da memória afro-brasileira. Em 2023, recebeu o título “Maria Felipa na Contemporaneidade”, concedido pela Casa de Maria Felipa, em reconhecimento à sua contribuição para a preservação e difusão da história da heroína da Independência da Bahia. É autora dos livros “Maria Felipa: a heroína negra,  entre silenciamentos e resistências”, Coletânea “Letramento Racial na USP: um percurso”, lançado em julho deste ano no Museu das Favelas, em São Paulo, e “Escrevivências para re-existir”, que será lançado no próximo dia 28 de agosto, na Biblioteca Central, em Salvador. Ela também tem participado de importantes eventos acadêmicos e literários no Brasil e no exterior, como o Congresso ALARI (USP e Colômbia), Bienal do Livro da Bahia, FLIPELÔ, FLIPASSÉ e encontros de formação de professores.

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