Aldeia Nagô
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Sonzaço! Se o caso é chorar…Senhor Cidadão. Por Renato Queiróz

2 minutos de leituraModo Leitura

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Me diga, por quê
Me diga por quê

Senta que lá vem História

Se o caso é chorar nesta segunda-feira, o álbum “Se o caso é chorar”, lançado por Tom Zé em 1972, entrega o antídoto em forma de som.

A faixa “Senhor Cidadão” traz a coragem necessária para encarar a marcha do cotidiano.

O disco saiu pela gravadora Continental, com direção de produção de Walter Silva, o Pica-Pau.

A faixa abre com a declamação de Cidade City Cité, poema concretista de Augusto de Campos.

Em seguida, vem o solavanco.

O arranjo carrega um ritmo mecânico.

A letra ataca o automatismo e a burocracia que travam os seus passos.

Mais de cinquenta anos depois, a obra recusa o envelhecimento e ganha força nesta segunda-feira.

É o sonzaço para dar o play hoje.

Atrocaducapacaustiduplielastifeliferofugahistoriloqualubrimendimultipliorganiperiodiplastipublirapareciprorustisagasimplitenaveloveravivaunivora
Cidade

Senhor cidadão, senhor cidadão

Me diga por quê, me diga por quê
Você anda tão triste?
Tão triste

Não pode ter nenhum amigo, senhor cidadão
Na briga eterna do teu mundo, senhor cidadão
Tem que ferir ou ser ferido, senhor cidadão

O cidadão, que vida amarga
Que vida amarga, oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantos quilos de medo
Com quantos quilos de medo
Se faz uma tradição?

Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantas mortes no peito
Com quantas mortes no peito
Se faz a seriedade?

Senhor cidadão
Eu e você, eu e você
Temos coisas até parecidas, parecidas

Por exemplo, nossos dentes, senhor cidadão
Da mesma cor, do mesmo barro, senhor cidadão

Enquanto os meus guardam sorrisos, senhor cidadão

Os teus não sabem senão morder (que vida amarga)
Oh, senhor cidadão, eu quero saber

Com quantos quilos de medo
Com quantos quilos de medo

Se faz uma tradição?

Oh, senhor cidadão
Eu quero saber, eu quero saber

Se a tesoura do cabelo
Se a tesoura do cabelo
Também corta a crueldade, senhor cidadão

Renato Queiroz é apaixonado pela história da música.

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