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Da África a Boipeba: Cine Patachoca integra programação da 5ª FLIPEBA

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Cineclube apresenta o documentário Pitanga e um recorte da Mostra de Cinemas Africanos em dois dias de programação que conectam Boipeba ao cinema independente contemporâneo

Nos dias  5 e 6 de setembro, o Cine Patachoca integra a programação da 5ª FLIPEBA – Festa Literária da Ilha de Boipeba com duas sessões que colocam em diálogo o cinema brasileiro e diferentes cinematografias africanas contemporâneas. A iniciativa reafirma uma das principais frentes de atuação do cineclube: criar novos caminhos para a circulação de filmes independentes e ampliar o acesso ao cinema nas ilhas e comunidades do Baixo Sul da Bahia.

Cinemas africanos contemporâneos chegam à ilha

A programação começa no dia de 5  setembro, Boipeba recebe um recorte da Mostra de Cinemas Africanos, em parceria com o Cine Patachoca e com curadoria de Ana Camila Esteves.

A sessão apresenta cinco curtas-metragens de diferentes países: Açúcar – Sukari, de Omar Hamza, e Cabra – Goat, de Judy Kibinge, do Quênia; O Herói Sombrio – The Dark Shujaa, de Serge Girishya, de Ruanda; Bam Bam, de Tolulope Itegboje, da Nigéria; e Devoradoras de Almas – Dëmm, de Aïda Captijn, produção Senegal/Suíça.

O conjunto revela uma produção africana contemporânea diversa tanto em seus temas quanto em suas linguagens. Entre drama, horror, suspense, ficção científica e fantástico, os filmes abordam questões como prazer feminino e intimidade, juventude e inteligência artificial, ancestralidade, espiritualidade, memória, luto e identidade.

Ao apresentar narrativas produzidas em diferentes contextos do continente, a sessão também contribui para ampliar e atualizar o imaginário sobre as sociedades africanas, frequentemente apresentadas de maneira homogênea ou atravessadas por representações estigmatizadas. Na tela aparecem experiências urbanas, relações afetivas, tecnologia, conflitos entre passado e presente, espiritualidade e diferentes formas de imaginar o futuro.

No dia 6 de setembro,  será a exibição de Pitanga, documentário dirigido por Camila Pitanga e Beto Brant. O filme percorre a vida e a obra de Antônio Pitanga, ator e diretor baiano cuja trajetória atravessa momentos fundamentais da história do cinema brasileiro.

Uma das grandes presenças negras do Cinema Novo, Pitanga participou de obras que marcaram profundamente a cinematografia nacional e construiu uma carreira ligada às transformações culturais, estéticas e políticas do país. Ao recuperar sua trajetória, o documentário também lança um olhar sobre a presença e o protagonismo negro na construção do cinema brasileiro.

Levar esse conjunto de filmes para Boipeba faz parte de um movimento que o Cine Patachoca vem construindo a partir da própria ilha: descentralizar a circulação da produção audiovisual independente.

Muitos filmes que participam de festivais e mostras encontram seus principais espaços de exibição nos grandes centros urbanos. Para quem vive em ilhas, comunidades tradicionais e cidades do interior, o acesso a essas produções ainda é limitado.

O trabalho do Cine Patachoca busca inverter essa lógica. Em vez de esperar que o público precise se deslocar até os grandes centros para encontrar determinados filmes, o cinema se desloca até os territórios.

Receber um recorte da Mostra de Cinemas Africanos durante a FLIPEBA significa, assim, incluir Boipeba em outros circuitos de circulação cinematográfica e reconhecer a ilha como espaço de exibição, formação de público, reflexão e encontro.

A realização das sessões durante a 5ª FLIPEBA potencializa esse movimento. Durante a Festa Literária, a ilha se mobiliza em torno da literatura, das artes e da cultura, reunindo moradores, estudantes, artistas, realizadores e visitantes. O cinema passa a integrar esse território de encontros, colocando Boipeba em contato com histórias produzidas do outro lado do Atlântico.

As duas sessões contarão ainda com a presença das cineastas baianas Vilma Martins e Carol Aó, que conduzirão conversas com o público sobre os filmes apresentados.

Mais do que exibir obras, a proposta é fazer da tela um ponto de partida para a troca: aproximar territórios, ampliar repertórios e fazer circular outros modos de olhar e imaginar o mundo.

PROGRAMAÇÃO

5 de setembro | Mostra de Cinemas Africanos
Curadoria: Ana Camila Esteves

Açúcar – Sukari — Omar Hamza | Quênia

Cabra – Goat — Judy Kibinge | Quênia

O Herói Sombrio – The Dark Shujaa — Serge Girishya | Ruanda

Bam Bam — Tolulope Itegboje | Nigéria

Devoradoras de Almas – Dëmm — Aïda Captijn | Senegal/Suíça 

6 de setembro | Pitanga
Documentário
Direção: Camila Pitanga e Beto Brant 

Participação e conversa com as cineastas baianas Vilma Martins e Carol Aó.

Realização: Cine Patachoca

Cine Patachoca — levando o cinema às ilhas e as ilhas para o cinema.

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