Espetáculos ibero-americanos estão na 18ª edição do IC Encontro de Artes
Obras da Colômbia e da Argentina tensionam o cuidado com a memória e com a natureza
Dentre os oito espetáculos que compõem a programação da 18ª edição do IC Encontro de Artes, dois são internacionais: “CHUQUICHINCHAY – La existencia de la androginia en los andes”, vindo da Colômbia, e “La gravedad del encuentro”, da Argentina. Neste ano, o festival, realizado pela Conexões Criativas em parceria com a Dimenti Produções Culturais, coloca o cuidado no centro da cena com a pergunta “Quem cuida?”, ocupando seis diferentes espaços de Salvador, de 26 a 29 de agosto. Ingressos e programação completa estão disponíveis em www.icencontrodeartes.com.br.
A presença destas duas obras da Ibero-América no IC Encontro de Artes resulta de convocatória internacional realizada com o apoio do Programa Ibercena – fundo que estimula a circulação e difusão das artes cênicas no espaço cultural ibero-americano –, realizado no Brasil pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Ministério da Cultura (MinC). Foram 120 propostas inscritas de 13 diferentes países interessados em mover cenas e dramaturgias do cuidado.
Com a seleção, os dois espetáculos farão apresentações no Espaço Cultural da Barroquinha, ativando a questão do cuidado de variadas formas. Para além da literalidade, o tema surge no tensionamento, na demanda, na oferta de relações com o público.
No dia 27 de agosto (quinta-feira), às 18h30, será a vez de “CHUQUICHINCHAY – La existencia de la androginia en los andes”, de Isaac Ensueño Erazo Araujo, com colaboração artística de Animala, Oshnur e Bitxy. Quem cuida das ancestralidades, das memórias coletivas e das histórias dos povos originários? A performance conta da existência de seres andróginos do Império Inca, chamados Qariwarmis – fato desconhecido por comunidades indígenas e para a maioria das pessoas LGBTQIAPN+ de Abya Yala, nome dado ao continente americano pelo povo Kuna antes da chegada dos colonizadores europeus. Deste contexto e cosmogonia apagados da visão do mundo, a obra evoca Chuquichinchay, felino dançante, divindade da água, patrono dos povos indígenas de “dois gêneros”: um fundamento espiritual que confronta uma sociedade que fere e assassina corpos diversos. Numa cerimônia transancestral e de purificação, o ato é de reparação histórica e símbolo do cuidado com o luto, transformando o esquecimento em uma cena de honra e respeito.
Na última data do IC18, 29 de agosto (sábado), às 18h30, Alina Marinelli, Bárbara Hang, Margarita Molfino, Mariana Montepagano e 45 pedras fazem o espetáculo “La gravedad del encuentro”. Nesta obra, corpos, pedras, solo, fricção, impactos e poeira se unem em práticas de associação e colaboração que permitem suspender aquilo que consideramos estável. Entre laços marcados pela erosão, sedimentos e transformação contínua, a peça propõe construir uma forma compartilhada de ser baseada no cuidado. A gravidade, essa força inerente a toda matéria que mantém os corpos unidos e em constante atração, é também uma força que nos move, nos molda e nos permite permanecer conectados. Onde há conexão, constrói-se apoio. Um espaço para se apoiar – ou do qual se libertar.
A 18ª edição do IC Encontro de Artes tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda, contemplado pelo Edital de Eventos Culturais Calendarizados.
IC ENCONTRO DE ARTES – 18ª edição – Quem cuida?
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