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Lucas Santtana anuncia “Brasiliano”, seu décimo álbum, cantado em oito línguas

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Depois de cantar com Gilberto Gil a “História da Nossa Língua”, o artista lança “Strati di Tempo”, sua primeira composição em italiano em feat. com Dimartino, que marca o início da jornada de uma língua brasileira, desde o latim vulgar, na Itália, até as influências do tupi-guarani e das línguas africanas no Brasil

O décimo álbum de Lucas Santtana, cantor, compositor e produtor que comemora 25 anos de carreira, tem uma missão ousada: reconhecer a identidade, riqueza e complexidade de uma língua brasileira. Para desenvolver esta ideia, que tem como uma de suas inspirações o livro “Latim em Pó”, de Caetano Galindo, o artista apresenta “Brasiliano”, disco cantado em oito línguas. No trabalho, Lucas narra em onze faixas inéditas a jornada da nossa língua desde o latim vulgar, na Itália, até as influências do tupi-guarani e das línguas africanas no Brasil. 

Depois de cantar com Gilberto Gil “A História da Nossa Língua”, road movie linguístico que estará presente no novo álbum, Lucas lança “Strati di Tempo”, parceria com o cantor italiano Dimartino. Primeira música composta por Lucas em italiano, a faixa inaugura oficialmente a aventura da nossa língua numa linha do tempo que tem como ponto de partida o país europeu. “O italiano é a língua românica mais próxima do latim vulgar, já que foi de uma região da Itália, a Toscana, que essa língua partiu em viagem pelo mundo, por meio da expansão do império Romano. A língua italiana e a língua brasileira têm muitas palavras em comum. Algumas com o mesmo sentido e outras que se escrevem igual, mas que têm significados diferentes. Contudo as vogais abertas trazem uma musicalidade parecida entre ambas.”, explica Lucas Santtana.

O segundo single da trajetória global de “Brasiliano” aborda a língua como uma transmissão familiar, que é passada de geração em geração por avós, mães e filhas, como camadas ao longo do tempo. A cada geração a língua materna vai sofrendo pequenas alterações em função das mudanças culturais e comportamentais que se refletem na linguagem. Mas ao mesmo tempo, diz a canção, a língua materna sempre ocupará um lugar principal dentro de nós como herança e memória. A música tem a participação de Dimartino, cantor vencedor do maior festival de música da Itália, Sanremo, e integrante do duo de música pop Colapesce. “Há alguns meses, meu amigo Lucas Santtana, um extraordinário cantor e compositor brasileiro, me convidou para compartilhar uma pequena aventura: emprestar minha voz à sua primeira música escrita em italiano. “Strati di Tempo” é uma canção que transcende idiomas e continentes.”, celebra o cantor que iniciou sua carreira como fundador da banda Famelika.

Nascido em Palermo, filho de uma professora de filosofia e um carpinteiro, o artista (Antonio Di Martino) adotou o apelido Dimartino após o fim da banda, quando lançou o álbum “Cara Maestra Abbiamo Perso”, em 2010. O cantor e compositor também assina músicas interpretadas por nomes como Brunori Sas, Arisa, Marracash, Malika Ayane, Chiara Galiazzo, Levante e Dear Jack. Em 2012, formou o Colapesce com o cantor Lorenzo Urciullo, que no ano seguinte venceu o prêmio da crítica no Festival de Sanremo com a canção “Splash”. Em 2017, estreou na literatura com o romance “Un Mondo Raro”, sobre a vida da cantora Chavela Vargas, considerada uma das mais importantes vozes femininas da tradição ranchera mexicana.

Lançado em outubro, o primeiro capítulo musical do novo álbum de Lucas Santtana, a faixa “A História da Nossa Língua”, apresenta a língua como uma personagem feminina. Uma mina que nasce latina e atravessa oceanos até encontrar o português, o tupi-guarani e outras matrizes que formam a base do idioma falado no Brasil. Palavras como Itapuã, Ipanema, Maracanã e capoeira compõem a poética da faixa, representando a dinâmica viva dessa solução linguística de sucesso. Inspirada no livro “Latim em pó”, de Caetano Galindo, a letra convida o público a refletir, e dançar, sobre a língua como um organismo em constante transformação.  A produção da faixa traz orquestração épica e elementos de arrocha, baixo motown, guitarras, sintetizadores e psicodélicos. “É como se a nossa língua fosse um ser feminino que nasce na região de Lazio-Itália e depois faz uma longa viagem até encontrar o Tupi-Guarani, com a chegada das caravelas portuguesas no Brasil. Nessa jornada ela encontra outras “pessoas”, que são as línguas que fazem parte da formação do português e consequentemente do Brasiliano. São elas o Occitano, o Celta, o Galego, o Moçárabe, o tupi-guarani.”, explica Lucas.

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