Aldeia Nagô
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Luedji Luna flutua por entre desejo e cura em “Um Mar Pra Cada Um”.

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Com participações de nomes como Liniker e Nubya Garcia, o novo disco mergulha no jazz e no neo-soul enquanto constrói um imaginário de busca e de encontro com o divino.

A cantora e compositora Luedji Luna mergulha ainda mais fundo nas águas do amor em “Um Mar Pra Cada Um”, seu quarto álbum de estúdio que estará disponível em todas as plataformas no próximo dia 26 de maio. Voltado para as nuances do desejo, o novo projeto encerra uma trilogia iniciada com os discos “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água” e seu deluxe enquanto passeia por ritmos como jazz e neo-soul, contando com as participações de Nubya GarciaLinikerTaliTakuya Kuroda, Isaiah Shaker, Beatriz Nascimento.

À medida em que os álbuns anteriores foram o início de uma investigação ao mesmo tempo humana e filosófica acerca do amor, “Um Mar Pra Cada Um” navega pelo íntimo de Luedji Luna na tentativa de suprir uma carência que a acompanha ao longo da vida, enquanto nos revela, pouco a pouco, que a dimensão oceânica de seus desejos serve de disfarce para traumas e questões profundas que permeiam e justificam sua busca incessante por amar e ser amada. 

Os discos BMDA, e BMDA deluxe, foram o início dessa investigação. O primeiro com uma perspectiva mais filosófica e plural, trouxe outras vozes de mulheres negras para compor o disco, já no segundo ela se humaniza revelando nas canções suas próprias contradições. “Um Mar Pra Cada Um” navega pelo íntimo de Luedji Luna, o amor oceânico que se expressa nas canções tem a mesma medida da sua carência. O desejo é apenas uma cortina de fumaça para o que se aprofunda ao longo do disco, que está ligado a traumas e questões profundas da cantora.

“Eu fiz esse disco pra investigar, para além do meu desejo, a minha carência, que gera essa busca incessante. Ele surge para que eu possa curar minha versão do passado que inventava amores, pois era a única maneira de habitar o amor, e para que eu compreenda que eu sou digna de ser amada porque, assim como qualquer ser humano, sou um ser divino. Nele, eu encontro o amor divino, supremo, como em “A Love Supreme” presente na obra do John Coltrane. É por essa razão também que temos uma presença massiva de sopros neste trabalho.”

Ao longo de suas 11 faixas, o novo álbum conta com a ajuda de grandes nomes da música mundial para conduzir essa busca. Canções como “Dentro Ali”“Harém” e “Salty” e “Baby, Te amo”, contam com as participações de Nubya GarciaLinikerTaliTakuya Kuroda e Beatriz Nascimento, respectivamente, sendo a última faixa uma poesia de uma publicação póstuma de Beatriz, que recita o próprio poema a partir da utilização de inteligência artificial. Já a faixa “Gênesis” se destaca por ser um instrumental regido pelos músicos baianos Bira Marques no piano, Bruno Mangabeira no sax, Nei Sacramento na bateria e Ângelo Santiago no contrabaixo.

Ousado, “Um Mar Pra Cada Um” explora a presença de efeitos, seja no uso de sintetizadores ou na voz, e tem os instrumentos de sopro como seu fio condutor. “O sopro que anima a vida, que está presente no início de todas as coisas, na cosmogonia cristã e em tantas outras. A etimologia da palavra ‘espiritualidade’ vem do latim ‘spiritus’, que quer dizer sopro. Ele é o veículo e o amor é a fonte originária; o fundamento de toda criação, de tudo que existe. Por isso, a primeira faixa se intitula ‘Gênesis’ e começa com um sax”, explica a cantora.

Determinadas frequências e elementos de sound healing foram propositalmente usados para construir a perspectiva de cura trazida pelo disco. A artista buscou aplicar em sua música parte dos processos terapêuticos nos quais se envolveu durante o último ano. Enfrentando uma trajetória densa, Luedji Luna mergulhou em um oceano abissal que a fez confrontar as estranhezas desse lugar e, levada a um nível de autoconhecimento importante, a artista garante que esse é, sem dúvida, o disco mais honesto de sua carreira. 

Sobre Luedji Luna

Cantora e compositora, Luedji Luna nasceu em Salvador e estudou música na Escola Baiana de Canto Popular. Aos 38 anos, já coleciona três álbuns, diversas indicações e prêmios, além de se tornar referência da música popular brasileira contemporânea. Voz ativa na militância racial e feminista, Luedji Luna mergulha em sua ancestralidade e traz em sua arte mensagens fortes de luta, crenças, profundidade e amor. 

Seu primeiro álbum “Um Corpo no Mundo” (2017) a consagrou na cena nacional e rendeu os primeiros destaques em premiações, festivais e mídia. Em 2021, lançou “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água” que, entre tantas nomeações e topos de listas globais, a levou para a indicação de “Melhor Álbum de MPB” do Grammy Latino 2021. O álbum ganhou uma versão deluxe em 2022, onde a artista explora sonoridades como o neo soul, R&B e jazz. Com 10 faixas autorais, também apresenta parcerias com compositores já conhecidos em seus trabalhos anteriores. 

Em 2024, Luedji Luna deu voz ao tema de abertura da novela “Renascer” exibida pela Rede Globo. A artista também realizou sua primeira apresentação no festival Rock in Rio, que aconteceu em setembro. Luedji subiu ao palco Sunset no dia 20, data em que o festival contou apenas com atrações femininas, convidando Tássia Reis e Xênia França – com quem dividiu “Lua Soberana”, tema da novela – para uma noite de muita música e celebração. Também lançou a festa Manto da Noite, onde entrou como CEO e curadora, com o objetivo ser um contraponto dos eventos/festivais no Brasil, para um público mais nichado.

A cantora conta, ainda, com participações em projetos musicais reconhecidos globalmente, como o Colors e o Tiny Desk com Afropunk.

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