Aldeia Nagô
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Podcast Axé das Plantas traz as propriedades medicinais e importância cultural e religiosa da jurema no 4o episódio

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O 4º episódio do podcast Axé das Plantas é sobre a Jurema, sua dimensão sagrada e cultural, sua botânica, sua química e o interesse farmacológico que desperta, especialmente pelos efeitos de alguns de seus compostos no sistema nervoso. E, transversalmente, vamos conhecer mais sobre a presença indígena na Caatinga, seus enfrentamentos e suas formas de resistência. Os apresentadores Victor Diógenes e Vagner Rocha, conversaram com os seguintes convidados: Luana Pires, Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Alagoas e atualmente Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas pela UFAL e UFBA; Dráulio Araújo, professor titular no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), dedicado a pesquisa na Neurociência; Cacica Neide e Adriano Trupá Tupan, dos Truka Tupan; Pajé Welison e Cacique Daniel, da etnia Katokinn. O episódio será lançado em 09 de outubro de 2026, nas principais plataformas de podcast.

A jurema é uma planta que desperta interesse de estudo na farmacologia dada a presença em altas concentrações do composto dimetiltriptamina – ou DMT, uma molécula natural que aparece tanto nas plantas, quanto em nós, animais. Ela pertence à família dos alcalóides indólicos e é conhecida por produzir estados alterados de consciência quando ingerida em certos contextos rituais, como no vinho da jurema. Pela semelhança com a cor do vinho, é assim que a bebida da jurema é chamada. E o DMT, essa substância psicodélica é encontrada nas cascas e nas raizes de algumas espécies, o que despertou o interesse de estudos recentes nas universidades brasileiras pelo seu potencial no tratamento de doenças como a depressão. Mas, é importante aqui não reduzir a Jurema a DMT. A planta reúne muitos outros compostos potentes, e as experiências ritualísticas dependem de preparação, contexto, tradição e significado.

A jurema consegue reunir a dimensão ecológica da caatinga, como bioma, com a cosmovisão de distintos povos indígenas e de descendência africana que se encontraram no Nordeste brasileiro, com prática mais frequente e tradicional em Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Para as tradições, especialmente em Pernambuco, a jurema é uma entidade. É espiritualidade, é cultura e também resistência política. Jurema tem e dá força para o povo do sertão. 

A jurema é rica em taninos — compostos adstringentes, aqueles que lembram a sensação de “amarrar a boca” de um caju ainda verde, porque interagem fortemente com proteínas. Quando o povo do sertão diz que a jurema é uma farmácia em forma de árvore, as razões são muitas: a presença de taninos produz efeito cicatrizante e ação antimicrobiana associada à casca; já os flavonóides têm atividade antioxidante e capacidade de bloquear ou reduzir a percepção da dor, atuando no sistema nervoso central; e os compostos isolados da casca do caule que têm efeito psicoativo e motivam grandes interesses farmacológicos.

O podcast é apresentado por Dr. Victor Diógenes Silva, Professor Associado do Departamento de Bioquímica e Biofísica do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Bahia; e Dr. Vagner Rocha, Doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA e pesquisador do campo da antropologia, cultura e patrimônio alimentar afro-brasileiro. Lançado em agosto, vem trazendo para os ouvintes plantas medicinais da Caatinga, como: Catingueira, Cactáceas, Juazeiro, Umbuzeiro e Licurizeiro, estas duas últimas temas do 5o episódio.

Com lançamentos quinzenais, o podcast “Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma” é uma produção da Universidade Federal da Bahia, em parceria com o podcast Viagem Gastronômica com Dr. Dendê, e apoio do Instituto Serrapilheira.

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