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Residência Vila Sul recebe artistas e curadores do Canadá, Nigéria e Argentina com pesquisas diversas ancoradas em narrativas e têxtil

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Artistas desembarcam na capital baiana para dois meses de imersão artística promovida pelo Goethe-Institut Salvador

Salvador volta a se consolidar como território de encontros artísticos internacionais com a chegada, no próximo dia 29 de junho, do segundo grupo de residentes do programa Vila Sul, iniciativa do Goethe-Institut Salvador que reúne artistas e pesquisadores de diferentes países para experiências de criação, pesquisa e intercâmbio cultural na capital baiana. Nesta edição, o programa recebe três artistas internacionais, da Argentina, Nigéria e Canadá, que desenvolverão projetos conectados ao tema “Tecidos de Narrativas”.

O conceito curatorial deste ano parte da própria formação histórica e social de Salvador, cidade marcada pelo encontro entre narrativas indígenas, africanas e europeias ao longo dos últimos cinco séculos. A proposta também amplia o significado do tecido como suporte de memória, identidade e resistência, seja por meio da renda, do bordado, das estampas ou das práticas de tecelagem. Ao mesmo tempo, o ato de tecer aparece como metáfora da construção de histórias coletivas, atravessadas por experiências, afetos e deslocamentos culturais.

Durante dois meses de residência artística, os participantes irão desenvolver pesquisas de campo, trocas com comunidades locais, oficinas, encontros com artistas baianos e processos criativos conectados às expressões culturais da cidade.

Da Argentina, a artista e pesquisadora Alejandra Mizrahi chega a Salvador com uma investigação voltada às práticas têxteis tradicionais desenvolvidas por mulheres latino-americanas. Graduada em Artes pela Universidade Nacional de Tucumán e doutora em Filosofia pela Universidade Autônoma de Barcelona, Alejandra atua há mais de uma década junto a comunidades de rendeiras argentinas. Na Vila Sul, ela pretende mapear práticas têxteis em Salvador e desenvolver um “dechado coletivo”, espécie de amostra têxtil construída colaborativamente, reunindo memórias, técnicas e experiências compartilhadas entre artesãs baianas e latino-americanas.

A artista, curadora e pesquisadora nigeriana Jumoke Sanwo traz para a capital baiana o projeto “Isàlè̩ Apótí: Renda, Memória e a Pós-Vida do Comércio”, pesquisa que investiga as conexões históricas entre Nigéria, Bahia e Europa a partir dos fluxos coloniais do comércio têxtil. Com trajetória internacional que inclui passagens pela Bienal de Veneza e pelo Studio Museum of Harlem, Jumoke pretende aprofundar, em Salvador, estudos sobre heranças afro-brasileiras, religiosidades de matriz africana e as relações simbólicas entre tecidos, espiritualidade e pertencimento. A artista irá realizar entrevistas, registros fotográficos e experimentações têxteis junto a comunidades religiosas, guardiões de acervos e descendentes de afro-brasileiros retornados à Nigéria.

Já o canadense Étienne Rochon, artista visual e digital conhecido pelo pseudônimo Arthur Desmarteaux, desenvolverá o projeto “Sonhos Urbanos”, obra interdisciplinar que mistura teatro de bonecos, vídeo em tempo real, projeções digitais, teatro de sombras e música eletrônica. Inspirado pela paisagem urbana e pelas manifestações populares de Salvador, o artista pretende criar uma peça itinerante gratuita para espaços públicos da cidade, incorporando sons, imagens e elementos captados durante a residência. O projeto também prevê intercâmbios com artistas e instituições locais, como coletivos urbanos, universidades e grupos de teatro.

Para o diretor de operações do Goethe-Institut Salvador, Leonel Henckes, a nova edição da Vila Sul posiciona Salvador como espaço estratégico para a criação artística contemporânea e para o fortalecimento de redes culturais internacionais. “A Vila Sul cria pontes entre artistas, territórios e narrativas que dialogam diretamente com a complexidade cultural de Salvador. Receber artistas de diferentes partes do mundo para pesquisar, criar e trocar experiências com a cidade fortalece não apenas o intercâmbio internacional, mas também o reconhecimento da potência cultural baiana no cenário contemporâneo”, afirma.

Mantida pelo Goethe-Institut, a residência Vila Sul promove residências artísticas internacionais voltadas para práticas contemporâneas de criação, pesquisa e pensamento crítico, estimulando diálogos entre artistas estrangeiros e a cena cultural local.

Sobre o Goethe-Institut
Conectamos pessoas em todo o mundo. Como instituto cultural oficial da Alemanha, promovemos o intercâmbio cultural, a educação e os discursos sociais em contexto internacional, assim como apoiamos o ensino e a aprendizagem do idioma alemão. Juntamente com nossos parceiros locais, voltamos nossa atenção para oportunidades e desafios globais e trazemos diferentes perspectivas para um diálogo de confiança. Consideramos a escuta e a reflexão como chaves para o entendimento. Presentes em 100 países, com 154 unidades, atuamos em Salvador, Bahia desde 1962. 

O Goethe-Institut Salvador-Bahia organiza e apoia uma ampla gama de eventos culturais para apresentar a cultura alemã no exterior e promover o intercâmbio intercultural. Nosso programa de residência internacional Vila Sul recebe artistas e especialistas renomados de todo o mundo que trabalham com temas particularmente relevantes para os países do chamado “Sul Global”.

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