Aldeia Nagô
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A cor do voto. Por Zuggi Almeida

3 - 4 minutos de leituraModo Leitura

O voto tem cor, sim!

O voto da Faria Lima tem uma cor. Assim como o voto do Leblon. O voto do agro da mesma forma.

O uso o voto tem sido fundamental para elite tradicional manter seus privilégios de berço que consideram direitos adquiridos. A perpetuação secular do poder político da elite mantendo os seus representantes referendados deve-se ao controle de sistemas considerados reservas. As principais são a econômica, a política, a social e a cultural.

O domínio sobre essas estruturas garantem a herança de patrimônios, bens acumulados e acesso privilegiado ao mercado financeiro. A reserva política permite influenciar as leis, o Estado e as instituições públicas em causa própria.

A reserva social é estratégica na manutenção da rede de contatos, o uso da influência do sobrenome e o prestígio herdado. A reserva cultural ampara os privilégios de acesso aos saberes, domínios de idiomas, as melhores ferramentas educacionais preparando esse estrato para dar seguimento ao controle dessa elite sobre o Estado.

Ela escuda-se no princípio da meritocracia quando a chegada ao topo depende apenas do esforço, em detrimento das ferramentas que permitam o desenvolvimento da base. Esse é o conceito defendido pela classe média brasileira como possibilidade de inclusão social nos salões dos bailes das elites.

A cor do voto da elite está representada na maioria dos cargos no Congresso nacional.

A composição da Câmara Federal apresenta um percentual de 72,0% de políticos que se autodeclaram brancos ( cerca de 378 deputados ) segundo dados do TSE nas eleições de 2022.

O Senado Federal na constituição atual apresenta cerca e 60 senadores brancos perfazendo 75% da composição num universo de 81 parlamentares.

Nas eleições de 2022 onde 517 dos parlamentares – deputados estaduais, federais e senadores-, 32,3% dos eleitos se autodeclararam negros, mesmo não possuindo quaisquer traços étnicos que caracterizassem a raça.

Assim ficam configurados os casos de apropriação racial do voto.

Nas eleições de 2026 nas candidaturas registradas antes do pleito em outubro foram identificadas migrações raciais, quando candidatos antes declarados brancos se autodeclaram como representantes pardos ou negros.

Existe uma grande importância na cor do voto na representatividade ou para o oportunismo.

Trazendo o recorte para o eleitorado da Bahia onde 11,3 milhões de indivíduos estão aptos a votar em 2026.O estado é considerado o quarto maior eleitorado do país.

Segundo o TSE houve um crescimento nos números de eleitores que se declaram pardos, negros, quilombolas e indígenas, um crescimento de 73,3% em reação a 2022, mas distante da realidade demográfica onde 79,9% da população está identificada como negra ou parda e apenas 21,1% de brancos.

A configuração da Assembleia Legislativa da Bahia em 2026 apresenta 24 parlamentares brancos, 31 deputados autodeclarados pardos e apenas 8 parlamentares negros. Num estado com população majoritária negra isso revela uma distorção na representatividade política.

Após apresentados os argumentos, vem cá meu nego ou minha nega!

Você chegou a conclusão que seu voto tem uma cor? A importância na decisão da escolha do seu candidato na hora de votar? Os interesses e propósitos dessas candidaturas em relação às suas aspirações. Evidente que existem candidaturas fora do seu espectro racial, mas com semelhança nos objetivos. Essas merecem ser avaliadas.

Agora você sabe a cor do voto na Faria Lima ou no Leblon, e quais os propósitos para continuar mantendo a maioria na representatividade parlamentar. Valorize, também seu direito ao voto.

Ele pode definir a qualidade no atendimento à saúde, educação, infraestrutura, saneamento e habitação. As melhorias nos transportes públicos, os aumentos nos números de empregos e de salários podem ser adquiridos pela força do seu voto.

Ou mais além, a cor do seu voto permite seus representantes participar das decisões relativas às elaborações das leis, direcionamento das medidas econômicas, aplicações financeiras que influenciam os destinos do Brasil.

Imagine um sistema judiciário que respeite seus direitos constitucionais.

O seu voto possibilita o desenvolvimento de políticas de combate ao racismo, a misoginia,a xenofobia, a discriminação sexual, o etarismo, o desmatamento das nossas reservas naturais e outras práticas que permitam ao país preparar um futuro melhor para os seus filhos.

Veja, então quanto é importante a seleção do seu voto.

Outra oportunidade só daqui a quatro anos!

*Zuggi Almeida é escritor baiano.

*O autor para desenvolvimento do texto utilizou de referências adquiridas através da obra ‘A Elite do Atraso’, do sociólogo Jessé de Souza.

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