Aldeia Nagô
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Curta baiano “Talvez meu pai seja negro” integra Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro e São Paulo

4 - 5 minutos de leituraModo Leitura

Filme de Flávia Santana, produzido pela Mulungu Realizações, é o único representante baiano no principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina

Curta já passou por 11 festivais no Brasil e soma 4 premiações no circuito audiovisual

O curta-metragem “Talvez meu pai seja negro”, dirigido pela realizadora baiana Flávia Santana e produzido pela Mulungu Realizações Culturais (@mulungurealizações) é o único filme baiano a integrar a Mostra Competitiva do festival É Tudo Verdade, um dos mais importantes eventos de documentário da América Latina. Com sessões em São Paulo nos dias 13 e 17 de abril e no Rio de Janeiro nos dias 14 e 18 de abril. As sessões contam com a presença da diretora em parte da programação e marcam mais um passo na circulação do filme pelo circuito audiovisual nacional.

No documentário, a diretora conduz a narrativa ao lado de seu pai, Antônio Santana, em uma investigação íntima sobre as origens da família. A partir de uma revelação que atravessa gerações, o filme percorre documentos, fotografias e memórias fragmentadas, abordando temas como identidade racial, pertencimento e apagamentos históricos. Ao partir de uma experiência pessoal, a obra alcança dimensões coletivas, refletindo sobre lacunas na construção das histórias familiares negras no Brasil.

A diretora destaca que o documentário nasce de um impulso profundo de reconstrução da memória familiar e de elaboração de ausências históricas. 

“O filme veio mesmo como um desejo e urgência de tentar salvaguardar a memória da minha família paterna, num exercício de tentar remontar e contar uma história que foi estilhaçada, que temos pouco acesso a informações, documentos e registros. Nessa jornada, que foi muito profunda e desafiadora, eu e meu pai iniciamos um processo de troca e reflexão sobre a história dele e da nossa família que nunca tínhamos falado antes, inclusive sobre temas que me atravessaram toda a vida, como questões relacionadas à identidade e pertencimento.”

O filme tem roteiro e direção de Flávia Santana e produção da Mulungu Realizações. A direção de fotografia é de Hury Ahmadi; montagem, operação de câmera, assistência de direção e cor de Nin la Croix; direção de som e trilha sonora de Italo Oliveira, captação, edição de som e mixagem de Victor Brasileiro; identidade visual e design Gráfico de Alyssa Volpini; distribuição da Mulungu e Pique Filmes.

Entre o íntimo e o coletivo

Ao revisitar territórios do interior e encontrar personagens que ajudam a recompor fragmentos da história, o filme evidencia tanto a dificuldade de acesso à memória quanto a potência dos encontros. A diretora aponta que o processo revelou como o direito à memória ainda é desigual, mas também foi atravessado por experiências de acolhimento e generosidade.

A obra também aborda questões como trabalho infantil e desigualdade social, a partir de conversas familiares que revelam diferentes formas de compreender o passado. Nesse sentido, o filme assume uma dimensão política ao não naturalizar violências históricas e ao propor reflexão crítica a partir do cotidiano.

“Tratar de temas como memória, apagamentos e identidade racial a partir de uma vivência pessoal foi muito desafiador, sobretudo por compartilhar esse espaço íntimo da minha família. O filme foi feito com muito afeto e verdade, sem a pretensão de trazer respostas concretas.  O próprio título já traz incertezas, a dúvida, e acredito que aí está a força do cinema também: de ser essa ferramenta que possa colaborar para gerar discussões, provocar reflexões e ampliar perspectivas.”, conclui Flávia. 

Serviço:

O quê: Exibição do curta “Talvez meu pai seja negro” – Mostra Competitiva do É Tudo Verdade
Direção: Flávia Santana
Classificação: Livre Acompanhe em: @mulungurealizacoes

Sessões:

  • São Paulo
    13/04 – 17h30 – Cinesesc (com presença da diretora)
    17/04 – 14h00 – IMS
  • Rio de Janeiro
    14/04 – 20h00 – NetRio 5 (com presença da diretora)
    18/04 – 15h30 – NetRio 4 (com presença da diretora)

SOBRE: Flávia Santana formou-se em Produção Cultural pela Universidade Federal da Bahia e é pós-graduada em Política e Gestão Cultural pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É Grantee do Sundance Institute Documentary Film Program e é EFM Toolbox Alumni e Nicho 54 Alumini. Produziu mais de 15 curtas-metragens, 03 longas e 02 obras seriadas. Em 2022, foi uma das 05 produtoras brasileiras selecionadas para participar do programa de aceleração Nicho Executiva, participando de eventos internacionais como Berlinale, Marché du Film, TIFF e American Film Market. 

É produtora executiva do longa-metragem de ficção “RECEBA!”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna; e dos longas documentais “CAIS”, de Safira Moreira; e “MENARCA”, de Lara Carvalho. Também é produtora executiva do longa documental “Mulheres Negras em Rotas da Liberdade”, de Urânia Munzanzu, em fase de produção, que conta com a participação de Conceição Evaristo, Sueli Carneiro, Carla Akotirene, Luedji Luna, Mirtes Renata e Erica Malunguinho gravado em quatro países do continente africano. Atualmente, é diretora executiva na Mulungu Realizações Culturais, empresa dedicada a colaborar na criação e produção de projetos de impacto sociocultural, com especial interesse em narrativas de mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+.

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