Nosso Sarau convida a escritora Anajara Tavares para a edição de setembro
Anajara Tavares é a convidada da edição de setembro do Nosso Sarau, que acontece no dia 30 (quarta-feira), às 18h, no KreativLab do Goethe-Institut Salvador. A escritora fala do livro Unguento, além de sua trajetória literária, em um bate papo com Cacau Novaes, além de participar de uma sessão de autógrafos.
O evento começa com um pocket show da cantora e compositora Chá Rize e, logo a seguir, um recital de poesia com Alvorecer Santos, Ametista Nunes, Cacau Novaes, Gabriel Nabuco, Jorge Carrano, Jovina Souza, Pareta Calderasch, Rita Pinheiro e Rosana Paulo.
Mãe de Flor de Lis, Iaô do Ilê Axé Odé Mywa, Anajara Tavares é graduada em fonoaudiologia pela UNEB. Agente de saúde, poeta e escritora, residente do sarau Bem Black e do Sarau Agdá. Compositora, premiada no Festival Educadora FM. Coorganizadora da coletânea Outras Carolinas (Penalux). Possui publicações em 18 coletâneas poéticas, incluindo Cadernos Negros. Autora de Unguento (Segundo Selo). Articuladora do Sarau Banquete Literário Preto.
Ao estrear na literatura, Anajara Tavares apresenta uma obra que compreende a poesia como gesto de continuidade. Seus textos reafirmam que escrever também é refazer rotas interrompidas, recuperar memórias dispersas e devolver dignidade às narrativas negras femininas tantas vezes silenciadas.
Sobre o livro
A obra inscreve-se na continuidade de uma tradição potente da literatura negra baiana feita por mulheres que transformaram a palavra em permanência, rito e insurgência. Contudo, Anajara não apenas herda essa linhagem: ela a prolonga com delicadeza própria, fazendo da poesia um espaço de encontro entre as primeiras dores e as primeiras conexões de vida. Seus versos evocam umbigos ancestrais, ventres femininos, ebós de linguagem e caminhos uterinos que costuram passado, presente e futuro numa mesma pulsação.
Ler Unguento é atravessar um território íntimo e coletivo ao mesmo tempo. Há nesses textos uma escrita que toca sem pedir licença, porque reconhece no leitor marcas que antecedem o próprio nome. São poemas que falam de pertencimento, de herança afetiva, de espiritualidade e reconstrução, mas também de permanência diante das violências do esquecimento. A palavra, aqui, não é ornamento: é cura, é oferenda, é tecnologia ancestral de sobrevivência.
“O livro inteiro é rio correndo, cachoeira se precipitando despenhadeiro abaixo. E lê-lo de alguma forma nos exige um rasgar-se, um lapidar-se, um ressurgir do caos constante. Mas não há o que temer: a lama que adentra nossas casas pelas frestas não é para virarmos esgoto, mas é o molde para expressarmos as ‘exímias oleiras de um novo vaso’. Esse passo entre a queda e o rodopio musicado pelos poemas denuncia que somos aladas e podemos sim nos atirarmos ao vazio. Nossas asas se abrirão e nos farão voar” (Luciana Sacramento Moreno Gonçalves).
Unguento convida o leitor a tocar essas páginas como quem toca algo sagrado: com cuidado, escuta e reverência.
SERVIÇO
O quê: Lançamento do livro “Unguento” no Nosso Sarau
Quando: 30 de setembro, quarta-feira, às 18h
Onde: Goethe-Institut Salvador — KreativLab
Quanto: GRATUITO
Valor do livro: 50 reais
