“O mangue é o pulmão do mundo”, diz Eliete Paraguassu no lançamento do livro Cercas nas Águas, Derrubar!
“O mangue é o pulmão do mundo.” Com essa afirmação, carregada de emoção e compromisso com a defesa dos povos das águas, a vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) marcou o lançamento do livro Cercas nas Águas, Derrubar! Um Encontro na Baía Kirimurê/Todos os Santos, realizado nesta quinta-feira (11), em Salvador, durante o Seminário Nacional sobre Direitos das Comunidades Pesqueiras.
O evento reuniu pesquisadores, lideranças populares, representantes de movimentos sociais, pescadoras, marisqueiras e apoiadores das lutas em defesa dos territórios tradicionais e da justiça socioambiental. Em um ambiente marcado pela troca de saberes e pelo fortalecimento de alianças, Eliete destacou que as conquistas dos povos das águas são fruto de uma construção coletiva.
“São várias frentes de luta. Nenhuma delas é construída sozinha. É uma caminhada feita por muitas mãos, por muitas vozes e por pessoas que acreditam que outro futuro é possível”, afirmou.
Referência nacional na defesa das comunidades pesqueiras e quilombolas, Eliete lembrou que essa luta envolve não apenas a preservação ambiental, mas também a garantia de direitos, saúde, trabalho, cultura e permanência nos territórios. Para ela, proteger os manguezais é proteger a vida de milhares de famílias que dependem das águas para existir.
A publicação reúne textos de Ailton Krenak, Eliete Paraguassu e Marizelha Lopes, com organização do professor Felipe Milanez, da Universidade Federal da Bahia, além de contribuições de pesquisadores, ativistas e especialistas comprometidos com a causa socioambiental.
A obra registra um encontro realizado em janeiro de 2026, durante um Tóxico Tur pela Baía de Todos os Santos. Na ocasião, lideranças das florestas e das águas compartilharam experiências, reflexões e denúncias sobre os impactos da crise climática, das violações de direitos e dos conflitos socioambientais que atingem comunidades tradicionais em diferentes regiões do país.
Para Felipe Milanez, o livro simboliza a confluência de diferentes territórios e formas de habitar o mundo, conectados por um desafio comum: garantir a continuidade da vida diante da emergência climática.
“O desafio comum é a gente conseguir continuar vivendo e habitando o planeta. Essa troca entre Eliete, Marizelha e Ailton Krenak foi cristalizada em um livro para que essas vozes possam seguir irradiando esperança de uma vida com o planeta, com a água, com os rios e com os territórios”, afirmou.
Segundo o professor, a publicação aproxima experiências de povos das águas e das florestas que, apesar de viverem realidades distintas, enfrentam ameaças semelhantes provocadas pela exploração ambiental.
“A resistência das marisqueiras, das comunidades pescadoras e dos povos indígenas deve inspirar outros povos a aprender a cuidar e reconstruir mundos. A emergência climática coloca como grande questão a possibilidade de continuar vivendo neste planeta, e essa experiência nos apresenta modos de vida que insistem em sonhar e construir um futuro habitável, mesmo diante de tantas ameaças”, destacou.
Em seu texto, Eliete resgata a trajetória do Movimento dos Pescadores e Pescadoras da Ilha de Maré e denuncia os impactos da contaminação industrial sobre a Baía Kirimurê. Ao longo do relato, ela narra o enfrentamento das comunidades diante da contaminação das águas, da privatização dos territórios e das pressões exercidas por grandes empreendimentos econômicos. O texto reafirma a importância da mobilização popular na proteção dos modos de vida tradicionais e dos bens comuns.
“O grito do nosso movimento continua sendo ‘Cercas nas Águas, Derrubar’. É uma luta pela preservação dos territórios, pela saúde das comunidades e pelo direito ao Bem Viver”, afirma Eliete.
O livro Cercas nas Águas, Derrubar! Um Encontro na Baía Kirimurê/Todos os Santos está disponível gratuitamente para download: acesse aqui
