Aldeia Nagô
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Essa tal baianidade. Por Zuggi Almeida

2 - 3 minutos de leituraModo Leitura

Um desses dias decidi sair pelas ruas da cidade em busca de sinais, símbolos ou vestígios da propalada baianidade.
Um roteiro sem início, meio ou final porque torna-se difícil reunir em apenas uma história algo despido de todo e qualquer significado concreto.
Salvador é surreal, alí ou aqui!

Ostentar a tal baianidade seria um estado de espírito? Um modo de ser caracterizado pelo jeito no falar, vestir, comer diferenciados?
A primeira vez que tive conhecimento desse rótulo baianidade foi através da alegria permanente criada pela axé music, em 1991. Um mix entre a identidade cultural, comportamental e histórica do povo baiano e as referências amparadas na cultura afro-brasileira, suas tradições e a suposta felicidade no cotidiano do baiano.

Quem sabe essa tal baianidade não seria um estilo de vida?

Um produto gerado pela indústria do entretenimento direcionado para atração do mercado externo e o faturamento milionário do turismo local.
Portanto, sorria você está na Bahia!
Um mote sedutor.

Você pode ser baiano por uma razão gentílica ou tornar-se baiano por uma temporada.
O visitante desembarca no aeroporto Dois de Julho, e dalí segue direto para o Pelourinho. Lá, irá encontrar os pintores de sinais tribais, aplicar os símbolos na pele e desfilar por Salvador exibindo o passaporte expedido no Centro Histórico.
Também, sentar em frente a uma trançadeira, nesse mesmo local e pedir à uma profissional capilar que aplique alguns tererés na cabeça (mesmo que o penteado seja desfeito, de imediato ao desembarque no aeroporto de origem da turista).

Um novo jeito de ser baiano é frequentar festas ou ter moradias pé-na-areia. O cara troca a frieza do piso de porcelanato ou mármore da mansão de sua propriedade pela aspereza calorenta do chão de uma praia da Bahia; mesmo que não suje os pés nem mergulhe no mar, optando por banhar-se na piscina de borda infinita do bangalow.
A lavagem do Bonfim privé é estar baiano em toda plenitude, basta vestir-se com um traje branco, colocar colares e por um torço na cabeça. Baianidade maior que isso, impossível!

Outra atitude ´in´é reunir um grupo de amigos e levar para comer uma feijoada, rabada ou mocotó na feira de São Joaquim ou mercado das Sete Portas.
Porém, radical mesmo é fazer uma festa paredão numa praça de Alphaville tendo a certeza que a polícia não vai bater por lá.

As mais diversas possibilidades para ostentar essa tal baianidade mantida, mesmo que o nagô fique de fora.
A baianidade asséptica por apropriação cultural.
Concluí que bainidade é calçar um par de sandálias novas e sair por aí batendo pernas por ruas e ladeiras dessa Salvador indescritível e sedutora em busca dos sentimentos perdidos.

Né mermo, brother?

Zuggi Almeida é baiano e escritor

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