Aldeia Nagô
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Sonzaço! O Coral Harmona. Por Renato Queiróz

2 minutos de leituraModo Leitura

Senta que lá vem História!

Nesta de passear pelas ondas da rede descobri uma apresentação de um coral chamado Harmona, no palco do Espaço Cultural Grande Otelo, em Osasco, março de 2026, anota aí. E confesso: virei fã.

É daqueles encontros que parecem nascer do sopro da ancestralidade. Quando suas vozes se entrelaçam, não é apenas música que se escuta: é memória, resistência, celebração. No tributo a Milton, Djavan e Gil, o grupo mostrou que o canto coral pode ser ponte entre mundos. O palco vira aldeia sonora, e o público, parte dessa aldeia.

Cada arranjo de Malu Ribeiro age chamando sopranos, contraltos, tenores e barítonos. São as vozes que buscam cada resposta.

Desse encontro brotam: Canção do Sal, Maria Maria, Travessia, Palco, Aquele Abraço, Samurai, Para Lennon e McCartney, Esotérico, Morro Velho, Lamento Sertanejo, Drão, A Carta e Serrado— clássicos revisitados com a coragem de quem desmonta a música para reerguê-la.

A condução artística de Malu, com a preparação vocal de Déborah Castolline e a preparação cênica de Miguel Tescaro, dá ao grupo uma identidade afro-brasileira, comunitária. Tudo isso com a produção do Movimento Periférico Cultural Alquímico — arte que nasce na quebrada e segue para o mundo. Mais que um concerto, o Harmona fez um ato de afirmação.

O grupo não se limita a interpretar músicas. Ele cria uma experiência. Cada nota é carregada de memória e de futuro.

E não espere um coral convencional, daqueles de imagem engomada. O Harmona é leveza. Quando as vozes se encontram, é festa.

Malu Ribeiro dobra os intervalos musicais como quem amassa papel para descobrir uma nova forma — cada arranjo ganha rugas de sentido, vincos de afeto, dobras que revelam o que a partitura não ousa dizer.

O coral não quer apenas entreter. Quer lembrar. É sina, travessia, é palco.

O Harmona é dessas pérolas raras. Porque quando cantam Travessia, Samurai ou Aquele Abraço, não é playback da memória. É poesia e luta. Corpo. Afeto. E nesse canto cabe todo mundo que nunca coube.

É sonzaço, meu povo!
Só SONZAÇO!

Renato Queiroz é professor, compositor, poeta e um apaixonado pela história da música

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