A Bahia preta, indígena e mestiça. Por Robherval Santos
Acordei pensando nessa canção. Não sei se foi por conta do 2 de julho, amanhã, Independência da Bahia. A Bahia preta, indígena e mestiça que comandou nossa libertação do colonialismo territorial europeu.
Caetano é foda!
Tem uma letra com uma mensagem fortíssima e bela. “Comprar o equipamento e saber usar, vender o talento e saber cobrar, lucrar…”
Eu aprendi a tocar por causa da Márcia Short. Na época, eu acompanhava o querido Bule Bule, essa figura ícone da cultura brasileira. Ele faria um show no Teatro Jorge Amado e a TVE Bahia resolveu gravar. Ficou bonito!
Uma das convidadas era Márcia, e ela cantaria, cantou, essa canção e “Rio Antigo”, de Chico Anysio e Nonato Buzar, que ela interpreta lindamente. As duas!
Eu conhecia a canção, mas nunca tinha parado para analisá-la. Pra ouvir com a calma necessária pra entender “Caetano”. Tem personagens e a história da Bahia! Tem símbolos, comparações, metáforas e a porra toda: “A voz mediterrânica e florestal”!
Toda vez que eu ouço Gal cantando “Bahia, minha preta”, eu não sei se Márcia gravou, eu me emociono.
Acho que, na realidade, eu estava pensando no repertório que vou tocar sábado no “Aconchego da Zuzu”, que é de “samba e ijexá”, e fui dormir pensando nisso e essa canção tá num desses repertórios. “Expande o teu axé, não esconde nada, nada”… Nesse caso, o “axé” pode ser a “energia vital”, assim como o movimento musical baiano surgido nos anos da década de oitenta do século passado.
Viva Gal!!!
Robherval Santos é músico baiano
