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Barão de Mococof. Chefe de torcida e do Carnaval. Por Nelson Varón Cadena

3 - 4 minutos de leituraModo Leitura

Nas décadas de 1960 e 1970, um personagem se destacava como chefe de torcida do Esporte Clube Vitória: Osvaldo Hugo Sacramento, o Barão de Mococof, um dos fundadores do bloco Amigos do Barão, em 1963, agremiação carnavalesca que tinha como base territorial o Clube Bahiano de Tênis. Rivalizava com o Jacu, fundado no ano seguinte, cujo eixo era o Clube da Associação Atlética da Bahia.

O chefe de torcida do Vitória, comandava a animação das arquibancadas, desafiando Lourinho, animador da torcida do Esporte Clube Bahia. No BA X Vi, o placar era um detalhe, importante sim, não menos do que a farándula das torcidas organizadas e civilizadas, naqueles idos.

Amigos do Barão e Jacu, ao longo das décadas de 1960 e 1970, foram dos mais desejados grupos carnavalescos e dos mais badalados, com certeza, pela animação e glamour. Há quem não concorde com a rivalidade, mas a imprensa encarregou-se de criar o clima e assim pareceu.

O do Barão nasceu da iniciativa de um grupo que incluía Péricles Augusto Lima, Chico Diabo, Lúcio Macaca, Dinho Passarinho, Tico e Bau Oyama. Mortalhas desenhadas pelo arquiteto André Sá e o estilista e designer Chico Nunes. O nome amigos do Barão homenageava Osvaldo Hugo Sacramento, oficial de justiça do fórum, frequentador assíduo do Bahiano de Tênis, admirado pela sua risada contagiosa, animador nato, a melhor companhia para se fazer uma festa.

O Jacu, cujo nome original era Há Jacu no Pau, irreverente no desfile e no nome__ por esse motivo seus integrantes foram parar na delegacia__ tinha a sua base musical composta pelo trio Waltinho Queiroz, Joildo Barbosa e Mário Preá. Desfilou ininterruptamente durante 22 anos, gravou 24 músicas-temas da autoria de Waltinho: sambas, marchas e frevos.

O Bloco do Barão, com o falecimento de Osvaldo Hugo em 1976, faz exato meio século, não desfilou no ano seguinte. Se reorganizou em 1978, sem seu personagem ícone, e se manteve ativo até meados da década de 1980. O Barão e o Jacu, ambos, sucumbiram um dia à tentação do Trio Elétrico. Deixaram de ser fanfarras, foi um fiasco pela incompatibilidade entre os instrumentos e a técnica da sonorização dos trios.

Meses antes de seu falecimento, aos 73 anos de idade, acometido de uma cirrose em estado avançado, fez questão de desfilar no bloco que levava seu nome e sua alegria, sentado num trono, montado sobre um carro alegórico. Sua morte foi amplamente lamentada pela imprensa baiana. O Jornal da Bahia resumiu o sentimento da cidade ao afirmar que ele foi “talvez o último personagem eminentemente e caracteristicamente popular de Salvador”, acrescentando que “representou a alegria de viver”. Alegria eternizada no refrão da música que se tornou o hino do bloco: “Só ele é nosso cacique/só ele entra em nosso pique, ele é da pesada, ele é setentão/e na batucada, no meio da massa/só dá o Barão, Barão, Barão, Barão”.

Muitos anos após seu falecimento o clube o homenageou criando a Casa do Barão, um pequeno museu-bar com objetos doados por amigos e a família, O Barão representado por uma escultura de cera, ou resina, provavelmente. A cantora Daniela Mercury prestigiou a inauguração. A Casa do Barão foi desativada em 2016, seu acervo ninguém sabe onde foi parar, quando do contrato de arrendamento do Bahiano com a rede Perini. (Nelson Cadena)

De minha autoria, publicado hoje no jornal Jornal Correio

Foto colorizada com IA do Barão, à direita, ao lado do mascarado, associado do bloco.


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