“Júlia Fetal e o Crime da Bala de Ouro” estreia no Forte do Barbalho e convida o público a refletir sobre feminicídio
Em cartaz no Barracão das Artes, no Forte do Barbalho, nos sábados de julho (11, 18 e 25) e agosto (1°) o espetáculo “Júlia Fetal e o Crime da Bala de Ouro” resgata um dos casos mais chocantes do Brasil Império para provocar uma necessária reflexão sobre o feminicídio. Com 40 minutos de duração e classificação indicativa de 12 anos, a montagem tem texto e direção de Adson Brito do Velho e propõe interação com a plateia, que é convidada a opinar ao longo da encenação.
A peça recria a história real de Júlia Clara Fetal, jovem de 20 anos assassinada em 20 de abril de 1847, em Salvador, por seu noivo, o professor João Estanislau da Silva Lisboa. O crime, que entrou para a memória popular como “o crime da bala de ouro” — embora a perícia da época tenha confirmado projétil de chumbo — marcou a cidade como um dos episódios mais passionais do século XIX. O local da apresentação, o Forte do Barbalho, foi escolhido por sua forte dimensão histórica: ali, João Estanislau cumpriu 14 anos de pena.
Com elenco formado por Eobelle Rocha (Júlia Fetal), Alexandro Beltrão (João Estanislau), Orlita Cruz (Juliette Fetal), Sofia Bonfim (mucama) e o próprio Adson Brito do Velho, a montagem acompanha do início das aulas de inglês na casa dos Fetal ao noivado, revelando o cotidiano do casal e os surtos de ciúme que culminam na tragédia. A encenação dialoga com referências literárias e televisivas que já abordaram o caso — de Jorge Amado à novela Espelhos da Vida — e reforça o paralelo com a realidade contemporânea de violência contra a mulher.
Contexto histórico
Júlia Clara Fetal (1827–1847) era filha do comerciante português João Batista Fetal e da francesa Juliette Fetal, educada nos moldes europeus e reconhecida por suas habilidades artísticas.
João Estanislau da Silva Lisboa (1819–1878), professor de inglês, geografia e história, foi julgado por júri em 28/09/1847. Cumpriu pena no Forte do Barbalho e, anos depois, mudou-se para Lisboa, onde faleceu.
Objetos ligados ao caso, como a “bala” e mechas do cabelo de Júlia, estão expostos no Museu Feminino da Bahia, no Politeama.
Direção e elenco
A direção do espetáculo é assinada por Adson Brito do Velho, professor, escritor, ator e diretor teatral com destacada atuação na cena cultural baiana. Autor de obras como Salvador Tem Muitas Histórias, Quem Tem Medo da Mulher de Roxo? e Os 171 Bairros de Salvador e as Origens dos Seus Nomes, Adson reúne uma sólida trajetória nos palcos, dirigindo tanto textos de sua autoria quanto clássicos da dramaturgia nacional e internacional. Entre seus trabalhos estão A Vingança do Padre — que ganhará uma versão cinematográfica em 2026 —, A Falecida, de Nelson Rodrigues, montada na Escola de Teatro da UFBA, e A História do Zoológico, de Edward Albee, um dos marcos da dramaturgia norte-americana do século XX.
O elenco reúne artistas com diferentes experiências no teatro, cinema e televisão. Eobelle Rocha interpreta Júlia Fetal. Estudante de Jornalismo e Secretariado Executivo, a atriz atuou recentemente em A Mulher de Roxo e Outras Histórias da Bahia, dando vida à personagem Dama da Rua Chile.
No papel do Professor João Estanislau da Silva Lisboa, está Alexandro Beltrão, assistente social e ator com passagens por espetáculos como A Vingança do Padre, A Mulher de Roxo e Outras Histórias da Bahia e A História do Zoológico. No cinema, participou de COE – Comando de Operações Especiais, ao lado das atrizes Neuza Borges e Narjara Turetta, e, na televisão, interpretou Joaquim Bolo Doido na série Um Carnaval em Cada Esquina, da TV Bandeirantes.
A atriz Orlita Cruz dá vida a Juliette Fetal, mãe de Júlia. Professora, Orlita tem como trabalho mais recente o espetáculo Grease – A Hora é Agora e investe continuamente em sua formação artística, realizando cursos de aperfeiçoamento também na Argentina, em instituições como o Instituto de Artes Escénicas, o Centro Cultural General San Martín e o Instituto de La Voz, em Buenos Aires.
Completando o elenco, Sofia Bonfim interpreta Leonor, a Mucama da residência dos Fetal. Professora e escritora de livros infantis, a atriz possui uma trajetória consolidada no teatro, com participações em montagens como A Vingança do Padre, Almas Acorrentadas e Como Não Amar Clarice Lispector, entre outras produções.
FICHA TÉCNICA
· Texto e direção: Adson Brito do Velho
· Elenco: Eobelle Rocha, Alexandro Beltrão, Orlita Cruz, Sofia Bonfim e Adson Brito do Velho
· Cenário: Bhel Aguiar (EBA/UFBA)
· Figurino: Orlita Cruz e César Adolfo
· Iluminação: Fernando Konday
· Fotos e vídeos: Alisson Emanuel de Sousa
SERVIÇO
· Espetáculo: “Júlia Fetal e o Crime da Bala de Ouro”
· Dias : Sábados de julho (11, 18 e 25) e agosto (1°)
· Local: Barracão das Artes – Forte do Barbalho (Rua Aristides Ático, s/n, Barbalho, Salvador; próximo ao Colégio ICEIA)
· Horário: 19h (duração: 40 min)
· Classificação: 12 anos
· Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
· Vendas: Bilheteria do local, Sympla ou pelo WhatsApp 71 98631-3242
· Contato/Imprensa: 71 98631-3242
Assessoria de Imprensa – Doris Pinheiro
