Sonzaço! “Desafinado”… no fone. Por Renato Queiróz
Senta que lá vem História!
- João Gilberto grava “Desafinado”, de Tom Jobim e Newton Mendonça – que entraria no icônico
“Chega de Saudade”, lançado em março de 1959.
A canção “Desafinado” fez a bossa nova ser revolucionária e também, por alguns, ser chamada de “música de maluco” por quem não entendia a batida sincopada.
Pois é: João Gilberto cantava quase trocando os tempos, e aquilo era tido como erro.
Até que deixou de ser.
Na letra:
“se você insiste em classificar meu comportamento de antimusical”.
A resposta dele é simples.
Eu insisto em cantar.
Mesmo que, para alguns, soe fora do padrão.
Teimosia. Só.
Além da perfeição técnica, a convicção de quem parece cantar errado.
Recoloca o fenômeno no campo da percepção alheia. O “erro” está no ouvido de quem ouve, não no gesto de quem canta.
A beleza do “Desafinado” está nisso.
No coração que bate fora do compasso, mas que não para.
Desafinar também é uma forma de viver.
E no peito do desafinado também bate um coração!
SONZAÇO!
Renato Queiroz é professor, compositor, poeta e um apaixonado pela história da música

Que gostoso esse texto. Essas memórias que você invoca, provoca, faz seus textos serem mais que narrativas, apesar do nosso último debate- que ecoa em mim- era exatamente sobre isso. Minha rebeldia vai e volta, os progressistas(que já foram neoliberais, liberais, capitalistas, escravocratas, colonizadores, só vão “se adequando” ou imitando mesmo a relação do povo na rua, que é uma estética produzida longe dos holofotes de mercado, que este mesmo mercado estabelece uma universalidade falseada, quando a diversidade é imensa., como um espelho colocado em frente ao sol e só o que vemos é o reflexo daquele círculo de fogo e transmutação. Como se fosse impossível atingir a transmutação do fogo. O que mais gosto de ver sua pesquisa musical é a maneira como escreve sobre a música de maneira honesta, apesar de ter vindo aqui te chamar de panfletário e hoje entendo como nossos papos honestos me mostraram a importância de muitos nomes que fazem parte aqui da aldeia nagô,
Além disso, o que me mantém firme aqui lendo toda semana é a disposição que você tem em compartilhar sobre uma história que nunca foi contada, pelo menos para mim que vivi os anos 90 com minha casa frequentada por grandes nomes da música soteropolitana. Eu cresci no Engenho Velho de Brotas e quando Gerasamba apareceu, aquilo era tão natural para mim que era criança e hoje eu entendo o quão disruptivo era ouvir samba roda virar música popular brasileira. Até hoje amigos músicos dos meus pais estão entre esses “desafinados” que são geniais em sua esponteinedade, mas não aceitam afinar com o mercado. Matita Pererê me deu essa sensação. Já está na minha lista de músicas para receber em casa e conversar. De novo, obrigada por compartilhar num mundo tão de sujeitos, indivíduos e cada um por si. Ah, sobre o show de Shakira, acho que Caetano e Maria Bethânia me surpreenderam por fazerem parte daquele xirê latino e me mostraram o quão a Bahia é o mundo (sem bairrismo, risos risos) Axé, querido amigo.
Mariana, sempre é muito bom ler os seus preciosos comentários!
Saravá! Axé!