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Lançamento de livro sobre Educação Física antirracista reúne educadores, pesquisadores e fortalece debate sobre relações étnico-raciais em Salvador

4 - 5 minutos de leituraModo Leitura

O lançamento do livro Educação Física e Matrizes Africanas: Por uma proposição crítico-superadora e antirracista, da professora, pesquisadora e doutora em Educação Josiane Cristina Climaco – e com o prefácio da maior referência no campo da Educação Física, a Profa Dra Celi Nelza Zulke Taffarel e a apresentação do Prof Billy Malachias – USP / CEERT, – reuniu educadores, pesquisadores, estudantes e representantes do movimento negro em uma tarde marcada por reflexões, diálogo e celebração da produção intelectual negra. O evento aconteceu na Praça Neguinho do Samba, durante a programação do Redes Alvorada, promovido pelo Instituto Cultural Alvorada Bahia, e consolidou a obra como uma importante contribuição para o fortalecimento da educação antirracista no país.

Publicado pela Editora Revista África e Africanidades, o livro é resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida por Josiane na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e propõe uma nova leitura da Educação Física brasileira a partir das matrizes africanas, defendendo uma formação docente comprometida com o enfrentamento ao racismo e com a valorização das contribuições históricas e culturais dos povos africanos e afro-brasileiros.

Durante o lançamento, Josiane destaca que a construção da obra representa um esforço coletivo, fundamentado nas lutas históricas do movimento negro e na experiência de professores que desenvolvem práticas pedagógicas antirracistas nas escolas públicas. “O livro é fruto da minha tese, mas não é um trabalho solo. Ele reúne as vozes de professoras e professores de Educação Física que já desenvolvem práticas antirracistas, muitas vezes invisibilizadas dentro da própria escola. É uma construção coletiva”, salienta.

A autora também reforça que pensar uma Educação Física antirracista significa compreender que a escola precisa dialogar com a realidade da maioria dos seus estudantes.”A gente tem que aprender a lidar com o nosso povo. Se eu estou na escola e essa escola é majoritariamente negra, mas eu não pauto as relações étnico-raciais, eu estou preterindo. E preterir também é uma dimensão do racismo.”

Ao apresentar os fundamentos da obra, Josiane explicou que sua proposta amplia o debate tradicional da Educação Física ao incorporar o enfrentamento ao racismo estrutural como elemento indispensável da formação docente. “A proposta é crítico-superadora porque faz a crítica à sociedade capitalista, mas também é antirracista porque precisamos demarcar que, além da desigualdade social, vivemos os impactos do racismo estrutural e institucional.”

Outro momento marcante foi a homenagem prestada à professora e pesquisadora Eliane Cavalleiro, uma das principais referências nacionais em educação antirracista, cuja presença emocionou a autora. “É muito gratificante ver aqui Eliane Cavalleiro, uma das grandes referências deste livro. Não podemos falar de educação antirracista sem reconhecer intelectuais como ela, que abriram caminhos para que pesquisas como esta existissem.”, declara Josiane.

Ao longo da conversa com o público, Josiane também defendeu que a Educação Física escolar deve ir além do ensino das práticas esportivas, tornando-se um espaço de formação crítica e cidadã. Segundo ela, discutir esporte, cultura corporal e relações étnico-raciais é também enfrentar o racismo, o sexismo e outras formas de desigualdade presentes na sociedade.

Além do conteúdo impresso, a publicação disponibiliza materiais digitais acessados por QR Code, incluindo vídeos produzidos pela autora, um bate-papo sobre a pesquisa e o recurso educacional Elimu — jogo inspirado na palavra “sabedoria”, em swahili — ampliando as possibilidades de utilização da obra em processos formativos.

Professora de Educação Física da rede estadual da Bahia há 27 anos, Josiane Cristina Climaco atua atualmente no Colégio Estadual de Tempo Integral Marcílio Dias. Também leciona na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Faculdade Lusófona, desenvolvendo pesquisas nas áreas de cultura corporal, relações étnico-raciais e Pan-Africanismo.

Mulher preta de axé, mãe, cantora, sambista, dançarina, coreógrafa e militante do movimento de mulheres negras, Josiane é mestre e doutora em Educação pela UFBA, integra o grupo de pesquisa LEPEL, coordena o projeto Minas Negras na STEAM, é coordenadora pedagógica do Coletivo As Bocas Negras, cofundadora do Fórum Permanente de Educação Básica ERER da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, integra o comitê científico do GTT Relações Étnico-Raciais do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte e idealizou o projeto cultural Terreiro da Preta.

Ao longo da carreira, recebeu importantes reconhecimentos nacionais, entre eles o Prêmio de Esporte Educacional Petrobras, o Prêmio Educar para Igualdade Racial do CEERT e o Prêmio Paulo Freire PASEM.

O sucesso do lançamento reforça o interesse crescente por produções acadêmicas comprometidas com a transformação social e consolida Educação Física e Matrizes Africanas como uma obra de referência para professores, pesquisadores, estudantes e todos aqueles que defendem uma educação pública, democrática e efetivamente antirracista.

Fotos: oducomunicação

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