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Terreiro de Salvador construirá ‘Templo de Oxumarê’ na Nigéria, África Babá Pecê e o Rei de Oyó.JPG
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Ter, 14 de Janeiro de 2020 07:04

Bab_Pec_e_o_Rei_de_OyO axé da Casa de Oxumarê – um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia – também poderá ser reverenciado no continente africano, a partir de setembro deste ano. Isso, por que, o atual líder do espaço religioso, Sivanilton Encarnação da Mata, o Babá Pecê, enviou dois representantes para a cidade de Oyó, na Nigéria, a terra ancestral de Xangô para construir o ‘Templo de Oxumarê’.  A ação é um marco histórico para o povo de santo, que além de resgatar o culto do Oxumarê em Oyó, também levará elementos do candomblé baiano – instrumentos, vestimentas, canções e orações – para a África.

A ação que está sendo promovida com o apoio da Associação Asa Orisa e a Fundação Paula Gomes – instituições sediadas em Oyó e trabalham pela preservação do patrimônio cultural e religioso – tem como objetivo reafirmar o valor da cidade africana como terra ancestral e um centro internacional de altíssima importância para todas as ramificações e tradições de culto ao Orixá da diáspora yoruba. O reconhecimento internacional de Oyó como espaço religioso contribui para afirmação do seu significado como patrimônio cultural da humanidade.

O templo será construído dentro dos padrões africanos para não interferir no conjunto arquitetônico da cidade. Porém, o culto será realizado estritamente conforme a tradição religiosa preservada na Casa de Oxumarê, em Salvador, Bahia. Segundo Babá Pecê, o cuidado de realizar a cerimônia na tradição brasileira é também uma forma de afirmar a importância das heranças de culto da diáspora. “É também um reconhecimento da África perante as tradições que foram transmitidas pelos nossos ancestrais africanos e preservadas na Bahia ao logo de séculos, apesar do contexto histórico de extrema opressão”, conclui o babalorixá.

Após a conclusão da obra, Babá Pecê e sua comitiva religiosa, composta pelos altos sacerdotes da Casa de Oxumarê, viajarão para Oyó a fim de realizar a cerimônia de assentamento definitivo do Orixá, que se manifesta por meio do arco-íris, a grande ponte entre o céu e a terra. A Casa de Oxumarê realizará anualmente uma cerimônia em louvor a Oxumarê, em Oyó, e um festival religioso a cada sete anos. Durante o ano o templo ficará aos cuidados dos sacerdotes de Xangô, uma vez que já não existem famílias de Oxumarê na cidade.

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